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Incenso na missa equivale à oferta de um sacrifício


Segunda-feira, 24 de junho de 2019


Imagem | Incenso na missa equivale à oferta de um sacrifício

Surpreenda-se ao saber que o uso do INCENSO na Santa Missa é o ato de adoração e equivale à oferta de um sacrifício. Sim! Que sublime aquele momento em que o Bispo, Sacerdote, Diácono ou Acólito prossegue com a incensação litúrgica! Vamos, pois compreender melhor aquele belíssimo ato:
 
1. Os objetos necessários
 
a) NAVETA: Objeto utilizado para se colocar o incenso, antes de queimá-lo no turíbulo.
 
b) TURÍBULO: Recipiente de metal usado para queimar o incenso.
 
c) INCENSO: Resina de aroma suave.
 
d) CARVÃO: para queimar o incenso.
 
2. Um pouquinho de história
 
O incenso é uma resina aromática destilada em lágrimas por uma árvore da família das terebintáceas (boswellia serrata). Pode-se dizer que se conhecia o incenso para o uso doméstico e religioso.
 
a) Os pagãos. Na vida dos mártires se fala não raras vezes da tentativa dos pagãos de seduzir os cristãos para a apostasia, pelo incenso queimado aos ídolos.
 
b) Os israelitas por preceito divino deviam oferecer o sacrifício de incenso sobre o altar de ouro no interior do templo. (Lv 2, 2.).
 
Você está lembrado do momento em que Zacarias, esposo de Isabel (Lc 1,9) vai ao Templo de Jerusalém para queimar o incenso? Um ato tão sublime que precisava ter sorteio entre os sacerdotes, tamanha a honra daquele serviço! Era muito mais desejado do que ser o sacerdote escolhido para oferecer as oferendas ou cuidar dos cordeiros na porta do Templo, durante as festas pascais!
 
Recorde também que um dos Reis ofereceu incenso ao Menino Jesus, em seu Natal. Imaginemos que naquela Santa Noite, a fumaça perfumada teria preenchido a gruta de Belém... “O incenso era para Deus, a mirra para o Homem e o ouro para o Rei”, diz São Leão Magno. Portanto, dos três dons oferecidos, o de maior valor simbólico era o incenso.
 
c) Os cristãos, para evitar a suspeita de idolatria, no princípio não empregavam o incenso na Liturgia, porém, Desde o século IV foi usado como perfume para os lugares litúrgicos. Era costume queimar incenso diante de pessoas de autoridade. Destes costumes se deriva o rito de incensar pessoas litúrgicas, altares e objetos.
 
Na liturgia católica, o incenso é utilizado desde o século IX, quando se instaurou o uso do incenso no início da Missa. No século XI, o altar se transformou no centro da incensação. O turíbulo era também levado na procissão junto com o evangeliário. Em seguida, o rito estendeu-se às oferendas do pão e do vinho, que são incensadas três vezes em forma de cruz, da mesma maneira como se procede com o altar e a comunidade litúrgica.
 
3. Quando é usado?
 
Hoje, prescreve-se que o incenso seja queimado durante uma missa de festas solenes, na bênção com o Santíssimo Sacramento, nas procissões, na benção do altar, diante do Evangeliário, de velas, de cinza, de ramos, nos funerais.
 
Empregam-se 5 grãos de incenso no círio pascal, simbolizando as 5 chagas; três grãos no sepulcro das relíquias dos Santos depositadas no altar, simbolizando o aroma da santidade.
Pode usar-se o incenso na Missa:
 
a) durante a procissão de entrada;
 
b) no princípio da Celebração, para incensar a cruz e o altar;
 
c) na procissão e proclamação do Evangelho;
 
d) depois de colocados o pão e o cálice sobre o altar, para incensar as ofertas, a cruz, o altar, o sacerdote e o povo;
 
e) à ostensão da hóstia e do cálice, depois da consagração.
 
4. Seu significado?
 
O ato de incensar exprime:
 
a) adoração direta diante do SS. Sacramento;
 
b) adoração indireta diante do altar, do evangeliário e da cruz, por serem objetos especialmente relacionados com o Redentor, por sua natureza, ou pela consagração;
 
c) veneração diante das imagens dos santos;
 
d) reverência, quando feito a pessoas (preste atenção que o Bispo, Padre, Diácono e o povo que está na Assembleia são incensados nas Missas solenes) ou ao corpo inânime dos fiéis;
 
e) comunicação de pureza, de santidade, de auxílio às almas como espécie de oração dirigida a Deus e oferta em favor delas, de proteção contra as influências do demônio;
 
f) símbolo da oração que sobe como fumaça aromática ao trono do Altíssimo.
 
É importante salientar que o incenso nunca serve exclusivamente para aumentar a solenidade. Ele é utilizado por causa das expressões acima salientadas.
 
Nas instruções gerais da CNBB, mostra-se o sentido do uso do incenso na Celebração eucarística e quando pode ou deve ser usado: “A turificação ou incensação exprime a reverência e a oração, como é significativa na Sagrada Escritura: “Que minha oração suba até Vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para Vós, sejam como a oferenda da tarde.” (cf. Salmo 140, 2) e, “Adiantou-se outro anjo, e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro nas mãos. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está diante do trono.” (cf. Apocalipse 8,3).
 
O agitar do turíbulo em forma de cruz recorda principalmente a morte de Cristo, e seu movimento em forma de círculo revala intenção de envolver os dons sagrados e de consagrá-los a Deus. Antes e depois da incensação, faz-se uma inclinação profunda para a pessoa ou coisa incensada, exceto ao altar e às ofertas do pão e do vinho, apresentadas para o sacrifício da Missa.
 
O uso de resinas naturais perfumadas faz com que o incenso, ao ser queimado, acrescente ao simbolismo do fogo também as analogias da emissão de fumaça e a de exalar perfume. A fumaça que sobe é o gesto imitativo: significa ergue-se pela oração até o céu, de modo equivalente ao gesto das mãos elevadas.
 
Infelizmente muitas pessoas fazem confundir nossas mentes quando incentivam o uso do incenso para práticas supersticiosas, afirmando a chegada de “bons fluídos” ou a saída de maus espíritos. Nas lojas de Exoterismo costumam vender incensos com indicações para o amor, a paz, a harmonia, o dinheiro, a sorte, a saúde etc. Para nos deixar esclarecidos, vale consultar o Catecismo da Igreja Católica, art. 2111, pois podemos cair em pecado: “A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, como por exemplo quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesmas legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que exigem, é cair na superstição”. Sendo assim, o uso particular do incenso, como uma ajuda à oração é benéfica, desde que o material seja adquirido em lojas católicas e, se for apenas para perfumar o ambiente, utilize-se outros produtos, pois há diversos no comércio para esta finalidade.
 
Concluindo, pois, esta breve reflexão, afirmamos que o incenso acrescido de perfume transforma-se num elemento de júbilo, revestido de alegria e beleza. Sejam, portanto, nossas orações e sacrifícios elevados ao céu e aceitos por Deus como suave e agradável perfume de louvor.
 
 
Imagem: iCatolica.com

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Sobre o Autor


Irmã Sandra Souza, pmmi

Irmã Sandra Souza é da Congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada e desenvolve seu trabalho missionário na Casa Madre Paulina em Barretos. Email: irmasandra.pmmi@gmail.com
 

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