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A fé, sem as obras, é morta


Segunda-feira, 06 de maio de 2019


Imagem | A fé, sem as obras, é morta

Ouvimos com frequência a afirmação: “O Brasil é o maior país católico do mundo”. Porém, quando paramos para olhar ao nosso redor para ver como ele está, ficamos assustados e nos perguntamos: onde está a fé? A fé não se manifesta com palavras, a única maneira de manifestá-la são com obras. Nós precisamos ser coerentes entre o que falamos e o que fazemos porque a fé, sem as obras, é morta.
 
A Palavra de Deus do último domingo (05), convidava-nos a meditar sobre a coerência na fé ainda que nos custe grandes sacrifícios ou até a morte. Não existe morte mais sublime daquela de quem morre por um ideal, e não existe ideal maior que ser sempre fiel à missão que Deus nos confiou.
 
O livro dos Atos dos Apóstolos (At.5,27-32) diz: “Os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao sinédrio. O sumo sacerdote começou interrogá-los, dizendo: ‘Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte deste homem!’. Então Pedro e os outros apóstolos responderam: ‘É preciso obedecer a Deus antes que os homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. E disso, somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem’”.
 
São João (Ap.5,11-14) conta a festa que teve no céu ao acolher Jesus, o primogênito, o Cordeiro que o Pai escolheu, pela sua fidelidade, para tirar o pecado do mundo, com estas palavras: “Eu, João, vi e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos seres vivos e dos anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões e proclamavam em alta voz: ‘O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor’. Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: ‘Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre’. Os quatro seres vivos respondiam: ‘Amém’”. Jesus é apresentado com o nome de Cordeiro, lembrando o sangue do cordeiro que libertou o povo de Israel da escravidão do Egito. Jesus, com o seu sangue, libertou o mundo inteiro da escravidão do pecado. Os quatro seres vivos fazem referência aos quatro evangelistas que continuam a obra que Ele iniciou.
 
No evangelho, São João (21,1-19) lembra-nos do exemplo de união que nos dão os discípulos de Jesus, que Ele pediu para todos os seus seguidores, e que nós não conseguimos imitar. Pedro disse aos seus companheiros: “’Eu vou pescar’. Eles disseram: ‘Nós vamos contigo’. Saíram e entraram na barca, mas não pegaram nada naquela noite. Jesus estava de pé na praia, e disse: ‘Moços tendes alguma coisa para comer?’. Eles responderam: ‘Não’. Jesus disse-lhes: ‘Lançai à direita da barca e achareis’. Laçaram, pois, a rede e não conseguiam puxá-la para fora por causa da quantidade de peixes”. Este fato nos confirma a importância de trabalhar em comunidade: porque nos dá a certeza que, quando trabalhamos unidos, Ele está no meio da nós e garante o resultado do nosso trabalho. Nos alerta também do perigo de querer trabalhar sozinhos. Sem Ele e o nosso trabalho é inútil. Eis a importância de sermos coerentes!
 

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Sobre o Autor


Monsenhor Antonio Santcliments Torras

Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia
 

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