Artigos


A hora da verdade


Segunda-feira, 15 de abril de 2019


Imagem | A hora da verdade

Afirmar “eu sou cristão” ou “eu sou muito católico” é fácil, mas são palavras que não resolvem nada. O importante é a vivência, ela dá sentido à nossa vida porque mostra a realidade, e traz segurança e paz em nossa consciência. Normalmente nós temos facilidade em esconder a nossa hipocrisia: afirmamos que temos muita fé e que somos devotos de Nossa Senhora, e seguimos as teorias dos homens.
 
Esta realidade, Jesus vai enfrentar durante toda esta semana, começando pelo Domingo de Ramos. Aconteceu no tempo de Jesus, e está acontecendo até hoje em todas as paróquias do mundo. Na hora de aclamar a Jesus como nosso Salvador e Mestre encontramos as pessoas humildes, as crianças e alguns jovens. Por isso, é chamado de Domingo de Ramos, porque, ainda que é a manifestação das crianças, dos pobres e dos humildes, ela é a mais importante de toda a quaresma. Eles não se envergonham de sair aclamando a Jesus, cortando galhos das árvores para expressar a sua alegria pela chegada Dele que se havia escondido esperando a sua hora.      
 
Neste momento já apareceram os traidores, os responsáveis pela religião judaica: sacerdotes, mestres da lei, e fariseus, que pediram para os discípulos, que estariam perto de Jesus: “peçam a este povo que se cale”. Jesus ouviu, e respondeu-lhes: “Em verdade eu lhes digo, se eles se calarem as pedras falarão”. A partir deste momento, as coisas mudaram para a vida de Jesus e de seus discípulos, e a Igreja também muda na sua liturgia.
 
São João, a partir do capítulo 13 do seu evangelho, nos conta a vida de intimidade que eles tiveram com Jesus. A liturgia da Igreja, quando bem preparada, nos convida a participar desta intimidade. Porém, seria bom, nós lermos, sem pressa, até o fim do evangelho. Assim compreenderíamos o porquê João tinha uma vida tão íntima com Jesus, e a razão de existir tantos que gostam desta intimidade. Porque só nela encontramos a paz e a felicidade que todos procuramos.
 
“O poder das trevas!”... Com estas palavras, Jesus apresenta os traidores do plano do Pai. Ele afirma: “Eu sou a luz do mundo!”. Porque Ele foi escolhido pelo Pai para orientar, com o seu exemplo e a sua palavra a todos os que estavam perdidos por causa do pecado, reparar as suas consequências, e oferecer-nos a certeza de uma vida eterna. Por isso, Jesus dá sentido à nossa vida e abre para todos nós o caminho para a vida eterna. Os filhos das trevas são os instrumentos do demônio que nos convidam na prática do mal, a provocar o sofrimento e a morte eterna.
 
Continuando a leitura do evangelho de São João, encontramos a história da paixão, morte, e ressurreição de Jesus, contada com mais detalhes que os outros evangelistas. Esta é a história que nós vamos celebrar nesta Semana Santa. Esta é a história vivida por Jesus para pagar pelo nosso pecado. Porém, é, também, a história que todos precisamos viver por causa dos nossos pecados.
 
E, como aconteceu com Jesus, quem mais sofre as consequências da maldade dos que, abusando do poder, praticam a injustiça, e usam de toda classe de violência, são as crianças, os pobres, e os inocentes, que, à semelhança de Jesus, também não tem como defender-se. A Paixão de Jesus deve lembrar-nos os sofrimentos do povo!
 

Comentários



Sobre o Autor


Monsenhor Antonio Santcliments Torras

Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia
 

Artigos do Autor