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Artigo do Pe. Ivanaldo: Negros de todas as cores


Sábado, 21 de novembro de 2020


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Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados heróis nacionais, como se a história do Brasil tivesse sido construída apenas pelos europeus e seus descendentes.  Confirmando a máxima “a versão oficial da história é contada pelos que mandam,”, são raras as referências aos heróis negros que tombaram nestas terras, e que muito contribuíram para a formação da nação.          
 
Em 2003, o projeto de lei 10.639, estabeleceu o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. Neste dia, em 1695, morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, defendendo o povo negro no combate à escravidão. O propósito do Dia Nacional da Consciência Negra, além de conscientizar sobre a importância da cultura do povo africano na formação da cultura nacional, é refletir sobre a inserção do negro nos diversos espaços da sociedade: educação, emprego, habitação, saúde, arte, literatura, mídia, política...
 
Timidamente, 20 de Novembro vai sendo abraçado.  Diversos municípios decretam feriado, sem, porém, dedicar a devida atenção ao propósito. Para muitos, feriado é sinônimo de fuga do trabalho. Encabeçada por grupos, associações e movimentos Afrodescendentes, a Semana da Consciência Negra acontece em muitos lugares. Inegável constatar que muitos, inclusive negros, interpretam a comemoração como desnecessária, reforçadora das diferenças raciais.
 
Fundamental é celebrar as marcas indissolúveis, gravadas em nós, de tantas formas, pelo povo negro. Externamente: o colorido das vestimentas, o gingado dos ritmos, a culinária, as expressões religiosas. Internamente: a alegria, a perseverança, a coragem, a determinação, a fé, a capacidade de superação. Verdade inquestionável: impossível definir a identidade do povo brasileiro sem considerar as profundas, importantes e eternas marcas da raça negra.
 
Na contramão de seus algozes, de ontem e de hoje, que o povo negro continue ocupando seu espaço, mesmo a passos lentos, servindo-se da mais poderosa arma que possui: o sorriso negro.  Como ensina a canção: “Um sorriso negro, um abraço negro traz felicidade (...), negro é a raiz da liberdade”. Não estão sozinhos! Nesse sentido, todos os que empunham o sorriso como arma que toca profundamente o coração, negros também são. É muito bom sentir e saber que somos muitos, que somos negros, negros de todas as cores!
 

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Sobre o Autor


Padre Ivanaldo Gonçalves de Mendonça

Pe. Ivanaldo e pós-graduado em Psicologia, pároco da Paróquia São José de Olímpia e Coordenador Diocesano de Pastoral. E-mail: ivanpsicol@hotmail.com

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