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Deixar para permanecer!


Sexta-feira, 09 de novembro de 2018


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Permanecer é um princípio da fé cristã cujas raízes remontam às Sagradas Escrituras, à Palavra de Deus. Enquanto ‘ficar’ ou ‘estar’ é ato, ação isolada e passageira, ‘permanecer’ sugere vínculo, conhecimento, intimidade, cumplicidade e comunhão, por isso, é atitude, ação continuada. Permanecer sugere fixar-se, criar raízes, aprofundar. Esta característica, própria de relações maduras, ultrapassando momentos e fatos, alcança equilíbrio e estabilidade sem perder-se na monotonia.
 
Jesus ensina, esclarece e insiste que permanecer é atitude fundamental de quem se compromete a segui-Lo fielmente. O Evangelho segundo João ratifica esta verdade e, servindo-se da relação entre os ramos e a videira, expressa esta necessidade: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo que não permanece na videira não pode dar fruto. Vocês também não poderão dar frutos se não permanecerdes em mim” (Jo 15,4); “Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós ... (Jo 15,7); “(...) permanecei no meu amor” (Jo 15,8-9).
 
É notória a crise da religião que durante séculos tutelou os referenciais cristãos. A crise não é dos valores em si, mas, da forma como foram acolhidos, assimilados, transmitidos e incorporados às sociedades. O desfacelamento do cristianismo em mil igrejas foi o primeiro efeito; por conseguinte, a busca voraz das igrejas por ajustamento a gostos individuais e grupais e o abandono da vivência radical do Evangelho fortaleceu o ‘ficar’ em detrimento do ‘permanecer’.
 
Outro aspecto interessante desta relação é a contraposição entre as propostas deste tempo e as do Evangelho: ambição, uso deturpado do poder, corrupção, utilitarismo, carreirismo, vida dupla, ganhos secundários, mentira e falsidade, dentre outros, sugerem que permanecer é prejuízo, sobretudo, permanecer fiel a valores de natureza espiritual, moral e ética.
 
Um amigo tomou a firme decisão de deixar uma função tida por muitos como importante e que, certamente, lhe possibilitaria inúmeros benefícios, caso se submetesse às regras do jogo. Foi criticado e ridicularizado tanto pelos donos do poder quanto pelos amigos que, até hoje dizem não entender sua atitude. Numa conversa franca sobre o assunto ele revelou: “Tantas vezes é necessário deixar pessoas, espaços, ambientes e estruturas que nos roubam de Cristo, nos corrompem e nos tornam corruptores”. Compreendi o que significa ‘deixar para permanecer’. 
 
 

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Sobre o Autor


Padre Ivanaldo Gonçalves de Mendonça

Pe. Ivanaldo e pós-graduado em Psicologia, pároco da Paróquia São José de Olímpia e Coordenador Diocesano de Pastoral. E-mail: ivanpsicol@hotmail.com

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