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Epifania do Senhor, o Pai de todos


Segunda-feira, 07 de janeiro de 2019


Imagem | Epifania do Senhor, o Pai de todos

A palavra Epifania significa manifestação porque este é o dia em que Deus manifestou-se através da pessoa humana de Jesus. Quando seus discípulos lhe pediram “Mestre, ensina-nos a rezar”, ele respondeu: “Quando quiserdes rezar, digam: Pai nosso...”. Nesta oração que nós rezamos sem prestar atenção no que estamos falando, até nestas duas primeiras palavras, encontramos resumido todo o plano de Deus que começa a ser realizado com a Sagrada Família de Nazaré. E nós precisamos lembrar que esta é a primeira família do povo de Deus. Isto nos leva a ter certeza que Jesus, Maria e José são três pessoas iguais às outras pessoas; que formam uma família igual às outras famílias, tendo como distintivo a fé no Pai que está no céu, e como norma de vida fazer sempre a Sua vontade. Por isso, Jesus chegando ao fim de sua vida, disse: “Eu vou para o meu Pai que é vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Com certeza, Deus está esperando que todas as famílias imitem as três pessoas da Família de Nazaré.
 
São José não ofereceu a vida para ficar eternamente suportando o cheiro de velas e ouvindo promessas que não são cumpridas, mas para que os pais sigam o seu exemplo. Maria não ofereceu a vida para ganhar belos mantos e coroas de ouro, mas para servir de exemplo para todas as mulheres e assumir ser mãe de todo o povo de Deus, como disse em Guadalupe ao índio São João Diego: “Quero este santuário para que todos os índios saibam que eu sou a sua Mãe e que quero aliviá-los nos sofrimentos que se aproximam”. E a imagem que ela deixou pintada no pano do índio não aceita nenhum enfeite. E Jesus é o filho que nos ensina fazer em tudo a vontade do Pai, como aprendeu dos pais.
 
A festa de domingo (06), nos manifesta que a Família de Nazaré não é só a base do povo de Israel, mas também de todo o povo de Deus, de todos os tempos, e de todos os lugares do mundo. As pessoas dos magos, que a tradição afirma ser um branco, outro amarelo, e outro negro, é para que nós entendamos que o povo de Deus está começando com a Família de Nazaré, e que, quando Jesus afirma ”Eu vos dei  exemplo para que vós façais a mesma coisa”, se refere a toda a sua vida, e também a sua vida familiar, e para todas as famílias do mundo.
 
São Mateus (2,1-12) termina dizendo: “Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho a não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho”. Nós conhecemos estas palavras do evangelho e ouvimos muitos comentários. Todos com fundamento, porém, incompletos. Foram avisados para não voltarem a Herodes, porque ele queria matar o menino. Porém, nos alerta sobre outro perigo que é válido para todos os tempos: No palácio dos ricos e dos poderosos não podemos esperar encontrar a vida nem a paz. Por isso, voltaram para casa seguindo o caminho da Vida e da Paz que encontraram na pequena casa da periferia de Belém, onde encontraram o menino Jesus em companhia de seus pais.
 
Ela continua mostrando-nos hoje que, se somos escravos da corrupção, da fome, da violência, e da morte, é porque estamos procurando a Vida, a Justiça, a Paz, e a Felicidade, junto aos ricos e poderosos. A Família de Nazaré indica-nos outro caminho que os Reis Magos encontraram e seguiram.
 
 
Imagem: Cena do filme "A História do Nascimento".

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Sobre o Autor


Monsenhor Antonio Santcliments Torras

Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia
 

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