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Jamais julgar


Terça-feira, 15 de outubro de 2019


Imagem | Jamais julgar

“Ó homem, qualquer que sejas, tu que julgas, não tens desculpa; pois, julgando os outros, te condenas a ti mesmo, já que fazes as mesmas coisas, tu que julgas” (Rm 2, 1). Neste trecho da Carta de São Paulo aos Romanos percebe-se o alerta aos julgamentos que fazemos dos nossos irmãos e irmãs, muitas vezes feitos instantaneamente e frequentemente. Em uma de suas homilias diárias, o Papa Francisco fez um questionamento pertinente a esse assunto: “Nas reuniões que nós temos, um almoço, o que quer que seja, pensemos em duas horas de duração: dessas duas horas, quanto minutos foram usados para julgar os outros?”.
 
Em um mundo que busca padrões elevados de eficiência e níveis perfeitos de qualidade nos diversos sistemas de produção, seja industrial, comercial, científico, entre outros, percebe-se o surgimento também de um nível elevado de exigência que pressupõe inúmeros julgamentos e baixa tolerância com erros. Por exemplo, uma pessoa é contratada para desenvolver um projeto para a produção de um novo produto em uma indústria. Ela é uma pessoa dedicada, comprometida, capacitada e qualificada para essa função, mas com o passar do tempo o seu chefe exige cada vez mais e ao não atender a todas as exigências e expectativas, esse chefe começa a fazer julgamentos negativos a respeito dessa pessoa e consequentemente não tolera as limitações e dificuldades que essa pessoa tem. Então, o chefe passa a ser um juiz que julga a pessoa subordinada, mas talvez não pare para perceber que também pode ter as mesmas dificuldades e problemas.
 
Podemos substituir esse exemplo simples por outra situação da vida e percebermos o quanto julgamos facilmente e estabelecemos um nível de tolerância baixo para as limitações que o próximo tem: “Ah esse daí é um mole, um fraco, um incompetente, não dá conta de fazer nada...”. Também existem aquelas pessoas que têm um nível de exigência tão alto que não há espaço para tolerância de erros e assim tem fórmulas prontas para julgar prontamente o que acontece, seja consigo ou com o outro.
 
Nesse sentido, a Palavra de Deus vem nos lembrar que ao julgarmos os outros, condenamos a nós mesmos por fazermos as mesmas coisas que julgamos. Portanto, é preciso refletir um pouco sobre a rapidez e o peso dos nossos julgamentos, o nível de exigência que traçamos para nós mesmos e para os outros e também o quanto estamos sendo tolerantes, ou seja, o quanto e como estamos suportando as atitudes, opiniões e julgamentos sejam dos outros ou próprios.
 
Peçamos ao Senhor a graça de sermos pessoas suaves no modo de encarar as limitações do nossos irmãos e das nossas irmãs, deixando de lado o peso dos julgamentos e que sejamos também mais humanos ao lidarmos com as cobranças e exigências de si mesmos e dos outros, mesmo que o mundo queira sempre mais.
 
Imagem: eusemfronteiras.com.br

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Sobre o Autor


Seminarista Matheus Flávio da Silva

Matheus Flavio da Silva é seminarista propedeuta em São José do Rio Preto. E-mail: matheusflavio07@gmail.com

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