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Lágrimas que curam!


Sexta-feira, 02 de fevereiro de 2018


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Certamente você, assim como eu, já chorou muito. Horas o choro foi supervalorizado por quem participou de nossa dor; horas o choro foi menosprezado por quem considerou-nos exagerados.  De maneira geral nossa relação com o choro e as lágrimas é complicada. Culturalmente aprendemos que chorar é sinônimo de fraqueza; o machismo faz recair sobre os homens o pesado fardo ‘homem não chora’. Muitas vezes choramos sem lágrimas.
 
Notemos que, muito embora fisiologicamente, as lágrimas nasçam no mesmo lugar e percorram sempre o mesmo caminho antes de saltar aos nossos olhos, em cada ocasião elas possuem um tom, uma cor e um sabor diferente. Lágrimas não são causa, mas, sintomas. Cada lágrima possui razão, história, sentimento e inspiração próprios. Também, na contramão do senso comum, nem sempre chorar alivia, nem todas as lágrimas curam.
 
Os monges referem-se á oração como meio especial que favorece o autoconhecimento e ás lágrimas como elemento terapêutico no caminho de purificação e libertação do homem. No percurso do amadurecimento espiritual, as lágrimas surgem do pesar pela separação de Deus, do luto pela salvação perdida, e da consciência do pecado, que nos distância do coração do Senhor.  ‘Pesar’ nada tem a ver com tristeza, falta de ânimo, depressão, pessimismo ou resignação, mas, significa chorar sobre os próprios pecados para, a partir daí, renascer.
 
Consideram os monges: apenas as lágrimas autênticas purificam o coração. Isso significa que existem lágrimas não-autênticas ou falsas lágrimas. Dentre elas destacam-se: 1. As lágrimas infantis, que derramamos quando não conseguimos o que desejamos; 2.  As lágrimas de ressentimento e medo; 3. As lágrimas de ira, raiva e impotência; 4. As lágrimas de autocompaixão. Nenhuma destas lágrimas pode curar-nos. As falsas lágrimas têm como característica especial sugerir que tudo gire em torno da própria pessoa, fazendo dela o centro do universo. Estas lágrimas aprisionam.
 
As lágrimas verdadeiras, as que curam, têm como característica especial conduzir o homem a Deus; fazer com que ele se liberte de si mesmo, daquilo que o prende, escraviza e diminui. O choro autêntico é sinal de que nos encontramos com a verdade, de que encontramos a nós mesmos. Ele possui uma força de conhecimento especial: revela a verdade das coisas, clarifica. Ai sim!As lágrimas de pesar transformam-se em lágrimas de alegria!
 
Dialogar com o choro e as lágrimas não apenas é importante, mas necessário. Vale a pena refletir e rezar: estas lágrimas são verdadeiras? De onde elas vêm? Para onde elas querem me conduzir? Choremos sim! Lágrimas curam quando são autênticas, verdadeiras e maduras! Boas lágrimas para você! 
 

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Sobre o Autor


Padre Ivanaldo Gonçalves de Mendonça

Pe. Ivanaldo e pós-graduado em Psicologia, pároco da Paróquia São José de Olímpia e Coordenador Diocesano de Pastoral. E-mail: ivanpsicol@hotmail.com

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