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O horizonte das bem-aventuranças


Terça-feira, 10 de setembro de 2019


Imagem | O horizonte das bem-aventuranças

“Bem-aventurados vós os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós que chorais, porque havereis de rir! Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem!” (Lc 6, 20-22). Nas palavras desse trecho do Evangelho, lidas de forma simples, percebe-se a existência de ideias opostas, como pobreza e reinado, fome e saciedade, choro e riso, insultos e felicidade. Seguindo a mentalidade do mundo atual, podem surgir perguntas do tipo: como pode um pobre ser feliz? Ou quem tem fome, chora ou é excluído?
 
Nesse sentido, as palavras de Jesus vêm mostrar um horizonte além da praticidade e materialidade do mundo. Ele aponta para o Céu, para a santidade. Mas diante das situações que surgem ao longo da vida, pode acontecer dessa indicação do Senhor ir ficando de lado por diversos motivos. Se pararmos para observar um pouquinho, vamos perceber o quanto confiamos no dinheiro e consumimos energia para tê-lo. Isso se dá pelo fato de buscarmos segurança, estabilidade, conforto, pois acreditamos que o dinheiro resolverá todas as nossas necessidades e seremos autossuficientes.
 
Mas e quando percebemos que o dinheiro não é o suficiente? Quando ele não devolve a saúde que perdemos, muitas vezes tentando tê-lo a todo custo ou quando ele não traz de volta aqueles amigos que deixamos para trás, familiares, filhos e cônjuges ou ainda, quando percebemos que materialmente podemos oferecer tudo, mas do coração não é possível sair um muito obrigado, o que fazer? Talvez dessa forma podemos compreender o que Jesus está dizendo com as bem-aventuranças, podemos entender porque bem-aventurados são os pobres e deles é o Reino de Deus e também compreendemos que essa pobreza que Jesus fala não é só do ter, mas do ser.  
 
Podemos refletir sobre cada uma das bem-aventuranças, mas, em síntese, chama atenção as palavras do Papa Francisco na sua última exortação apostólica Gaudete et Exsultate: “Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; assim o fez quando nos deixou as bem-aventuranças. Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre como fazer para chegar a ser um bom cristão, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida”.
 
Peçamos ao Senhor que nos aponte sempre o caminho das bem-aventuranças para que assim possamos, um dia, sermos os bem-aventurados e que nos lembremos sempre da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa.
 

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Sobre o Autor


Seminarista Matheus Flávio da Silva

Matheus Flavio da Silva é seminarista propedeuta em São José do Rio Preto. E-mail: matheusflavio07@gmail.com

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