Também no tempo de Jesus haviam aqueles que viviam a sua religião com rigidez, sempre prontos a acusar de impureza aqueles e aquelas que não tinham condições para viver a sua fé como determinava a lei de Moisés. Achavam-se por causa da sua frequência ao tempo e pelo conhecimento da Lei superiores aos outros, e por isso em condição de julgar e condenar. Já ouvimos falar tantas vezes deles no Evangelho: os fariseus, cujo termo significa “separados”.
Por incrível que pareça eles embora demonstravam ser os mais perfeitos, não foram capazes de acolher a mensagem de Jesus e, não poucas vezes se opunham abertamente a sua pregação até o ponto de dizerem que ele agira em nome do príncipe dos demônios (Belzebu). Jesus não poucas vezes chamava-os de “hipócritas” pois embora aparentassem a perfeição que a Lei de Moisés exigia, não viviam o que Deus pedia.
O texto evangélico lido neste domingo (cf. Mt 11, 25-30) nos apresenta a oração que Jesus faz quando ouve os discípulos que compartilham com ele a experiência missionária que fizeram, quando ele os enviou a anunciar o Reino e a curar os doentes e os atormentados pelo espírito do mal. Os discípulos falam não só da acolhida que tiveram, mas também das dificuldades que encontraram em que algumas cidades que passaram (cfr. M 11, 20-24). Entre os que se opunham a mensagem deles estavam os fariseus.
Jesus exulta em Deus por ter escondido aos sábios e entendidos os mistérios do seu Reino; e tê-los revelado aos pequeninos, aqueles que acolheram com simplicidade a mensagem transmitida. Justamente aqueles e aquelas que eram desprezados pelos fariseus pois não cumpriam com perfeição a Lei e, por isso viviam “cansados e curvados pelo peso do fardo” (v. 28) das exigências da Lei mosaica, foram os que acolheram a mensagem dos discípulos e abriram-se ao Reino.
A eles e a todos os que vivem cansados e abatidos, desanimados e aflitos, Jesus diz: “Vinde a mim! ”. Jesus diz que o seu jugo é suave e seu peso é leve. (Cf. vc. 30).
Ainda hoje vivemos e convivemos com grupos religiosos que se consideram superiores aos outros porque se aplicam a cumprir normas e preceitos extremamente rígidos. Distinguem-se pela intolerância para com os que pensam diferente deles e, por isso ameaçam os outros com seus discursos cheios de incompreensão e ódio.
Jesus não deixa ainda hoje de ensinar-nos que somente os “pequeninos”, os “pobres em espírito”, aqueles que por amar a Deus com simplicidade, procuram no dia a dia cumprir seus deveres, realizando bem as suas tarefas e, assim, ainda encontram tempo e forças para socorrer os irmãos é que descobrem os “mistérios do Reino” que podemos traduzir por amor e compaixão.
Em todos os tempos encontramos irmãos e irmãs nossos, membros das nossas comunidades, que de pouca instrução são, no entanto, sábios porque vivem a essência da mensagem de Jesus que é amar e servir, assim como Ele fez. E para isso não há necessidade de erudição, mas de um coração aberto a Deus e aos irmãos.


