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Diocese de Barretos

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Dom Milton Kenan Jr.

Reflexão do Evangelho – 23º Domingo do Tempo Comum

Nós encontramos no trecho do evangelho que ouvimos neste domingo (Cf. Mt 18,15-20) uma série de palavras de Jesus em que ele fala da correção fraterna, da oração em comum e garante a sua presença quando dois ou três estiverem reunidos em seu nome.

Estas palavras se referem a vida quando vivida em comunidade, daí o capítulo 18 do evangelho de Mateus ser intitulado o “discurso comunitário”, ou o “discurso sobre a Igreja”, por se tratar de atitudes a serem vividas quando se propõe a viver a fé no seio da família de Deus que é a Igreja.

Era comum entre os judeus expulsarem da sinagoga aqueles que demonstrassem não reconhecer o judaísmo como o único caminho de salvação. Jesus, ao contrário, adverte os discípulos que antes de afastar alguém da comunidade deve haver o esforço para “ganhar o irmão”. O que está em jogo não é o bem-estar da comunidade, mas a salvação daqueles que lhe pertencem.

Jesus propõe uma série de atitudes para advertir os que porventura “pecam contra ti”, para ajudá-lo a reconhecer o erro e oferecer-lhe a oportunidade de conversão. Como lemos, Jesus apresenta uma escala de caridade: “a sós”, “com duas ou três testemunhas”, e pôr fim a intervenção da Igreja. Só assim aquele que erra deve ser tratado como “um pagão ou pecador público”.

Não podemos nos esquecer que diante dos pagãos ou pecadores públicos, Jesus age diferente dos mestres da Lei do seu tempo. Se estes lançam sobre eles anátemas, Jesus não se esquiva do seu convívio e está sempre pronto a acolhê-los e dar-lhes a possibilidade de uma vida nova.

Hoje a correção fraterna proposta por Jesus contrasta com a nossa covardia. Preferimos falar pelas costas, julgar e condenar sem dar a possibilidade de defesa, criticar tão cruelmente aqueles que discordam de nós que dificilmente ele terá oportunidade de reparar seus erros caso os tenham cometido. Nosso saudoso Papa Francisco repetia sempre com muita frequência que a fofoca provoca um mal igual a bomba atômica. Nós não somos obrigados a concordar com o erro dos outros, mas somos obrigados a respeitar as costas deles.

Depois, porém, de falar da correção fraterna, Jesus passa a falar da autoridade da Igreja, confiada a Pedro, em alguns casos de “ligar” e “desligar” os que permanecem contumazes no erro, ou pelas suas atitudes ameaçam a unidade do rebanho de Cristo. Tal atitude é sempre uma atitude medicinal, para revelar a gravidade do erro e chamar à conversão.

Por fim, Jesus fala da oração em comum e garante sua presença quando dois ou três estão reunidos em seu nome. Não há melhor oração do que aquela que se faz quando estamos reunidos em nome de Jesus; e, ao mesmo tempo, não há certeza maior de que o Senhor está presente, quando nos reunimos em seu nome.

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