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Diocese de Barretos

circular e agenda

Dom Milton Kenan Jr.

VIVER DE ‘PORQUE’ ou DE ‘PARA QUE?”

      A rotina, a correria, o imediatismo, a obsessão pelo ter, o sofrimento com seus tantos nomes, cores, proporções, sabores e tantas outras realidades próprias da vida humana em nossos tempos, acabam por roubar-nos daquilo que realmente, mais do que, simplesmente, importar, realmente faz sentido. Imersos no universo do faz de conta, cada vez menos, estamos, de fato, preparados para viver, naquilo que este desafio consiste e realmente significa.

     A perda do sentido da existência, por vezes compreendida como fuga, consciente ou não, minimiza o humano aos limites sensoriais, remetendo-o á sua forma mais primitiva, enquanto dependente absoluto de desejos e vontades, escravo dos instintos e do prazer.  Houve quem, inclusive, advogasse a favor de que o primitivismo humano fosse, simplesmente, resultado do formato da caixa craniana que, de alguma, comprimia o cérebro, e que, o passar dos tempos resolveria a questão. Ledo engano!

     As ditas revoluções e suas consequências, caracterizadas, sobretudo, pela revolução tecnológica, favoreceu á humanidade tantas possibilidades de real progresso que, saturados dos esforços diários por superar-nos, em relação ao sentido da existência, sucumbimos ao comodismo, estabelecendo como sinônimo de felicidade muito ter, pouco fazer, nada pensar e nada ser. A necessária batalha do refazer-se continuamente cede lugar ao permissivismo que relativiza a presença de Deus e banaliza o mais nobre dos sentimentos, o amor.

    Constatação da involução humana está no mais constante questionamento de nosso tempo: o ‘Porque?’ Certamente este ‘porque’ não está relacionado ás bases do processo de construção do conhecimento como ensinado pela filosofia. Muito pelo contrário, o ‘porque’ moderno, está profundamente ligado á falta de ânimo, disposição e entusiasmo, a um estado de fraqueza e frouxidão absolta; não bastasse, os perguntadores de plantão passaram a ser tidos como inteligentes e referencial do pensamento crítico.

    A lei do menor esforço torna-nos escravos do ‘porque’. A construção do conhecimento que gera sabedoria, faz-nos transitar através do ‘Para que?’, questionamento que vislumbra o sentido mais profundo, a meta real, a razão final pela qual e para a qual algo ou alguém existe. Daí por diante, o que deve ou não ser feito, o que deve ou não ser dito, o que deve ou não ser evitado, o que deve ou não ser buscado, mesmo que á duras penas, converte-se, simplesmente, em conseqüência natural, o preço que se paga por quilo que se busca e/ou acredita. Vivamos de ‘Para que?’ 

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