Prezados irmãos e irmãs,
Neste mês, precisamente no dia 24 de maio, na solenidade de Pentecostes, nossa Diocese celebra seu Patrono, o Divino Espírito Santo, com a missa da unidade.
A cada ano vemos crescer o número de fiéis que se reúnem na Praça Francisco Barreto, em Barretos, diante da nossa Catedral Diocesana, para celebrar, com grande alegria, o Padroeiro de nossa Diocese, manifestando também a unidade que Ele desperta em nós e entre nós, como fruto da sua presença e da sua ação santificadoras.
A unidade entre todos os que creem é o grande desejo de Jesus: “Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um. Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim” (Jo 17, 21-23).
Ao despedir-se dos apóstolos, Jesus revelou-lhes o desejo de que eles manifestem, pela união entre eles, a unidade que existe entre ele [Jesus] e o Pai. Mas, ao mesmo tempo, o desejo de que os seus discípulos sejam “perfeitos na unidade”, porque somente assim o mundo haverá de crer Nele, que veio revelar-nos o imenso amor do Pai por todos os seus filhos.
As palavras de Jesus nos fazem compreender a eficácia da missão, e que o nosso testemunho se torna eloquente se permanecemos unidos a Ele e entre nós. A unidade, a comunhão, é a condição para que a evangelização produza frutos, alcance e convença o coração das pessoas da verdade do Evangelho. Sem unidade, não há missão.
Ao recordar à Igreja que a sinodalidade pertence à sua natureza, o Papa Francisco, e hoje o Papa Leão, apelam para a importância da comunhão e participação, expressões da unidade. A sinodalidade e a ação missionária são verso e reverso da mesma moeda; são condições uma da outra.
E esta é a obra por excelência que o Espírito Santo quer realizar conosco: fortalecer os laços que nos unem, para que possamos nos tornar verdadeiras testemunhas do Evangelho.
Santo Agostinho assim fala da unidade: “Ninguém teme o Senhor se não estiver entre os membros deste homem [Cristo]. Consta de muitos e é um só. Muitos cristãos, um só Cristo. Os cristãos unidos à sua Cabeça, que subiu ao céu, formam um só Cristo. Não digo que ele é um só e nós somos muitos, mas que nós, sendo muitos, naquele que é um, somos um só. Por conseguinte, Cristo é um só, Cabeça e corpo. Qual é o seu corpo? Sua Igreja, conforme a palavra do Apóstolo: “Porque somos membros do seu corpo” (Ef 5, 30). E: “Vós sois o corpo de Cristo e sois os seus membros” (1Cor 12, 27).” (Comentário Salmo 127, 3).
Justamente destas palavras do Santo de Hipona, o Papa Leão XIV escolheu o seu lema episcopal: “Naquele que é um, somos um só”.
A unidade querida por Jesus deve ser expressão, antes de tudo, da vivência do seu mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15, 12.17). Jesus não nos disse que devemos gostar ou ter simpatia uns pelos outros. Não! Nem nos disse que devemos amar os que são gentis, simpáticos ou capazes de retribuir o bem que lhes fazemos. Devemos amar a todos, inclusive os nossos inimigos (cf. Lc 7, 27-28).
O Espírito Santo, portanto, quer fazer-nos entender que a comunhão desejada por Jesus é que sejamos capazes de conviver uns com os outros, respeitando-nos uns aos outros e ajudando-nos mutuamente com as diferenças que há entre nós. Não pensamos da mesma forma, temos pontos de vista diferentes, pertencemos a grupos ou frequentamos comunidades que não têm o mesmo padrão que tem aquela da qual somos membros; entretanto, nos respeitamos e amamos e estamos dispostos a colaborar uns com os outros para que o Evangelho seja anunciado.
Tudo se torna mais fácil quando compreendemos que, embora diferentes, pertencemos ao mesmo corpo. São Paulo escreve aos coríntios que disputavam os dons mais excelsos e competiam entre si também em busca de postos mais importantes: “Existem carismas diferentes, mas um único Espírito; existem ministérios diferentes, mas um único Senhor, existem atividades diferentes, mas um único Deus que realiza tudo em todos” (1Cor 12, 4-6).
Não importa o lugar que ocupamos na Igreja, nem também o dom que nos foi dado ou dado aos outros, mas o importante é que, movidos pelo Espírito Santo, utilizemos os dons recebidos para edificar-nos e ajudar-nos uns aos outros.
Jesus, no diálogo com Nicodemos, afirmou: “O vento sopra onde quer; ouves seu rumor, porém não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3, 8). O Espírito não é monopólio de ninguém; ao contrário, Ele age onde e como quer para aperfeiçoar entre nós a obra de Deus, que é a santidade e a fidelidade ao Evangelho. Por isso, ninguém pode se arvorar no direito de julgar ou excluir alguém por causa do dom que recebeu de Deus; ao contrário, saibamos nos alegrar com os dons dados aos outros, porque eles completam o que falta em nós.
Celebrar o dom que Jesus Ressuscitado conquistou para nós, o Espírito Santo, exige de nós o compromisso de cultivarmos o respeito e a afeição fraterna, para conservar a unidade querida por Jesus. Preparemo-nos para a celebração de nosso Patrono Diocesano com a disposição de vencer as rivalidades que existem entre nós e superar as divisões provocadas pelas polarizações tão acirradas nestes nossos tempos, com a força da nossa fé.
Porque todos recebemos o mesmo Espírito e pertencemos ao Corpo de Cristo, que nada nos divida e nos separe uns dos outros, mas, ao contrário, animados pelo amor de Cristo, cresçamos na comunhão e na união fraterna.
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos
AGENDA EPISCOPAL – ABRIL 2026
01 – Santa Missa na Capela S. José Operário, em Barretos, às 19h30
02 e 03 – Visita Pastoral à Paróquia Senhor Bom Jesus de Guaraci
07 – Reunião do clero da Região Pastoral Barretos, na Paróquia S. Benedito, às 10h.
13 – Santa Missa na Capela N. Sra. de Fátima, em Barretos, às 19h.
17 – Encontro de formação dos novos ministros extraordinários da sagrada comunhão eucarística, na Cúria Diocesana,
19 – Missa de inauguração da Capela Santa Rita de Cássia, em Barretos, no Bairro Alto Sumaré (Paróquia Bom Jesus), às 19h30.
21 –Reunião do clero da Região Pastoral Olímpia, na Paróquia S. João Batista, às 10h.
23 – Santa Missa no Educandário Sagrados Corações e Posse da nova diretoria do Conselho Central da SSVP, em Barretos, às 17h.
24 – Concentração Diocesana e Santa Missa da Solenidade de Pentecostes, na Praça Francisco Barreto, em Barretos, a partir das 15h.
25 a 28 – Concurso Rei e Rainha da Alegria
28 – Reunião do clero das Regiões Pastorais Guaíra e Colina, em Morro Agudo, às 10h.
28 a 31 – Arraial da Alegria e Queima do Alho, na Cidade de Maria.



