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Dom Milton Kenan Júnior

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Dom Milton Kenan Jr.

Circular e Agenda do Bispo – Junho de 2026

          Meus prezados irmãos e irmãs,

          No último dia 25 de maio, o Papa Leão XIV publicou a sua Carta Encíclica “Magnificat Humanitas” sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. A Encíclica é o documento mais importante do magistério pontifício; e, por se tratar da primeira encíclica do seu pontificado, ela se reveste de um significado especial.

          O Papa, nesta Encíclica, revela a importância que possui a dignidade humana criada por Deus e nos lembra a responsabilidade de preservá-la num período de profundas transformações culturais e tecnológicas.

          Ao escolher esse nome para a sua primeira encíclica, o Papa Leão XIV reafirma que há no homem uma grandeza que nenhuma máquina é capaz de reproduzir. A pessoa humana possui um valor que ultrapassa a produtividade, o desempenho ou a capacidade técnica. Ele afirma: “Na era da inteligência artificial, em que a dignidade humana corre o risco de ser ofuscada por novas formas de desumanização, temos o dever urgente de permanecer profundamente humanos, salvaguardando com amor essa magnífica humanidade, que nos foi plenamente dada e manifestada em Cristo e que jamais alguma máquina poderá substituir no seu esplendor” (MH 15).

          A escolha da data em que a Encíclica foi assinada foi proposital. Ela foi assinada no dia 15 de maio de 2026, a exatos 135 anos da publicação da Encíclica “Rerum Novarum” promulgada pelo Papa Leão XIII, numa época em que a humanidade vivia uma profunda transformação provocada pela Revolução Industrial.

          O Papa afirma que, hoje também, a humanidade atravessa uma mudança histórica profunda. Nunca o homem teve tanto poder sobre si mesmo, nem tanta capacidade de transformar a realidade ao seu redor. Daí a insistência do Papa para que haja um discernimento moral capaz de acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas.

          Hoje, a Inteligência Artificial é capaz de influenciar dimensões centrais da experiência humana. Ela já interfere na comunicação, na educação, no trabalho, na política, na economia e até mesmo na maneira como as pessoas percebem a si mesmas e se relacionam umas com as outras.

          Por isso, a Igreja deve oferecer critérios morais e espirituais capazes de orientar a sociedade em meio às novas possibilidades oferecidas pela tecnologia.

          Na compreensão do Papa, a humanidade hoje se encontra diante do dilema de repetir o que ocorreu em Babel (Gn 11, 1-9), quando os homens, seduzidos pelo próprio poder, pensavam que podiam tornar-se deuses, capazes de se tornarem célebres com a obra de suas mãos; ou reviver o que ocorreu quando o povo de Israel retornou do Exílio babilônico, liderado por Neemias, que, diante da destruição de Jerusalém, viu-se obrigado a reconstruir as muralhas da cidade que haviam sido destruídas. Diz o Papa: “[Neemias] não impõe soluções vindas do alto: convoca famílias, confia a cada uma delas uma parte da muralha para reconstruir, ouve os receios, coordena esforços, enfrenta oposições” (Ne 1-2); e assim o fez, graças aos esforços de todo o povo.

          Ao publicar a “Magnificat Humanitas”, o Papa Leão XIV reafirma que o verdadeiro desenvolvimento humano não pode ser medido apenas pela eficiência técnica ou pelo crescimento econômico. É preciso que não se perca de vista a dignidade da pessoa humana para a responsabilidade moral e para a necessidade de reconstruir relações fundadas na verdade, na justiça e na comunhão.

          Para Leão XIV, “não é possível dar uma definição unívoca e completa da IA. O que podemos afirmar é que se evite o equívoco de equiparar esta ‘inteligência’ à humana. Estes sistemas imitam algumas funções da inteligência humana. Ao fazê-lo, muitas vezes superam-na em velocidade e amplitude de cálculo, oferecendo benefícios concretos em numerosos campos. No entanto, este poder permanece exclusivamente ligado ao tratamento de dados: as ditas inteligências artificiais não vivem uma experiência, não possuem um corpo, não passam pela alegria e pela dor, não amadurecem nas relações, não conhecem internamente o que significa amor, trabalho, amizade, responsabilidade. Nem sequer possuem uma consciência moral: não julgam o bem e o mal, não captam o sentido último das situações, não assumem sobre si o peso das consequências. Podem imitar linguagens, comportamentos, avaliações, podem simular empatia ou entendimento, mas não compreendem o que produzem, porque não penetram o horizonte afetivo, relacional e espiritual no qual o ser humano se torna sábio” (MH 99).

          A “Magnificat Humanitas” surge como um chamado para que a humanidade não entregue à tecnologia aquilo que pertence à alma humana: a capacidade de amar, de reconhecer a verdade, de viver em comunhão e de permanecer diante de Deus como criatura, nunca como máquina.

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos

AGENDA EPISCOPAL – JUNHO 2026

 

02 |  Santa Missa com Crismas, na Igreja Matriz de S. José, em Olímpia, às 19h30.

04  |  Santa Missa e Procissão de Corpus Christi, na Catedral do Divino Espírito Santo, em Barretos, às 10h.

05 |  Ordenação Presbiteral do Diác. Lucas Lisboa Eduardo, O. Praem. na Catedral Nossa Senhora do Patrocínio, em Jaú, às 19h.

06 e 07 |  Visita Pastoral à Paróquia São José em Severínia

09 a 11 |  Assembleia dos Bispos do Regional Sul1, na Vila Kotska, em Itaici.

12 |  Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero, no Santuário N. Sra. do Rosário, em Barretos, às 10h. (Manhã de Espiritualidade e Santa Missa com o Clero)

13 |  Santa Missa na Igreja Matriz de Santo Antonio de Pádua, em Barretos, às 15h.

17  |  Reunião da Comissão de Presbíteros da Província Eclesiástica de S. José do Rio Preto, na Casa do Clero, em S. José do Rio Preto, das 9h às 12h.

18 |  Reunião Geral do Clero, na Casa de Encontros D. Antonio M Mucciolo, na Cidade de Maria, em Barretos, das 9h às 13h.

19 |  Reunião dos Formadores, na Cúria Diocesana, em Barretos, às 9h

21 |  Concentração Diocesana do Apostolado da Oração, na Igreja Matriz de Bom Jesus, em Barretos, às 9h.

22/06 a 05/07 |  Ausente da Diocese

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