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Dom Milton Kenan Júnior

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Dom Milton Kenan Jr.

Circular e Agenda do Bispo – Julho de 2026

          Prezados irmãos e irmãs,

       No caminho que percorremos para a celebração da nossa Assembleia Diocesana de Pastoral, nós adotamos como método a realizar e percorrer, a sinodalidade. Certamente já ouvimos algumas vezes este termo, ele mereceu da Igreja dois anos de reflexão na Assembleia do Sínodo dos Bispos, convocados pelo Papa Francisco.

       Para nós o termo sinodalidade, embora relacionado à palavra sínodo é extremamente novo. Foi o Papa Francisco quem resgatou este termo, e no seu pontificado recordou à Igreja a importância do que ele representa.

       Sinodalidade deriva de “sínodo” cujo significado é “caminhar juntos”, ou seja, o esforço de integrar as diferenças entre os diversos agentes, as diversas visões e perspectivas tomadas diante das problemáticas que se impõem à vida.

       No contexto eclesial, sinodalidade corresponde a comunhão, participação e missão. Tratam-se de atividades em que cada fiel deve se sentir corresponsável, chamado a participar, no espírito de comunhão e participação, através da escuta e do diálogo, a fim de encontrar os melhores caminhos para a realização da missão querida por Jesus para a sua Igreja.

       No Documento preparatório para o Sínodo de 2023, cujo tema foi “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, nós lemos: “O processo sinodal é antes de mais nada um processo espiritual. Não é um exercício mecânico de coleta de dados ou uma série de reuniões e debates. A escuta sinodal é orientada para o discernimento. Requer que aprendamos e exercitemos a arte do discernimento pessoal e comunitário. Escutemos uns aos outros, à nossa tradição de fé e aos sinais dos tempos para discernir o que Deus diz a todos nós”.

       Desta afirmação compreendemos que sinodalidade está sempre relacionada ao discernimento. Nós lemos também no Documento Preparatório do Sínodo: “Se a escuta é o método do processo sinodal e o discernimento é o objetivo, a participação é o caminho”.

       No mundo grego o verbo “dokimazein” (discernir) e os adjetivos “dókimos” e “adokimos” estão relacionados ao mundo dos negócios e aos do direito. Em relação aos negócios é a função daqueles que devem examinar as moedas, para separar as verdadeiras das falsas. Neste aspecto discernir se reveste de uma certa ambiguidade: “provar”, “aprovar”, a fim de descartar o que é falso ou mal, conservando o que é autêntico e bom.

       Quando São João fala do “discernimento dos espíritos” (1Jo 4,1ss), ele se refere a arte de colocar à prova dos diversos “espíritos” para saber se verdadeiramente procedem de Deus.

       São Paulo é o que mais usa este termo. Para ele o discernimento divino não é algo que deverá ocorrer no juízo, mas é uma realidade já presente na vida do cristão. Através das provas, sofrimentos e tentações do tempo presente, o cristão como o ouro provado no cadinho, é purificado das escórias para tornar-se agradável aos olhos de Deus.

       Na nossa vida o discernimento torna-se a atitude de quem está em busca da direção que deve tomar a fim de alcançar êxito nos seus esforços ao assumir uma missão e se está disposto a abraçar o que mais lhe permite realizar com sucesso a tarefa que lhe é confiada, alcançando o bom termo das suas ações.         

       Na esfera da vida cristã, o discernimento se dá através do encontro e contato com o Senhor seja na oração, na meditação da Palavra de Deus e da vida sacramental; mas, exige também a capacidade de se confrontar com alguém que possa ajudar a progredir na vida do Espírito, para que seja capaz de superar as dificuldades e fortalecer as aspirações que o Espírito Santo suscita.

       Tratando-se da realidade eclesial e pastoral, o discernimento também supõe a abertura à ação do Espírito que age sempre na história e na vida de cada um e da humanidade. E neste sentido o discernimento é uma atitude comunitária: é uma ação em conjunto e quanto maior o número daqueles que participam dele, maior será a possibilidade de encontrar as indicações do Espírito para a vida e missão da Igreja. 

       Em todo o processo, o Espírito Santo é o protagonista do discernimento. É ele que abre os ouvidos e solta a língua, que nos anima e aponta caminhos. Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, o Papa Francisco dizia: “Somente o Espírito sabe penetrar nas dobras mais recônditas da realidade e ter em conta todas as suas nuances, para que a novidade do Evangelho surja como outra luz” (n. 173).

       Quanto maior a nossa abertura à ação do Espírito Santo e, a nossa capacidade de nos colocar à sua escuta e de uns aos outros, movidos pelo desejo ardente do Reino de Deus, nosso discernimento será legítimo e nos levará a encontrar os melhores caminhos para que na Igreja resplandeça a luz de Cristo!

       Por isso, sinodalidade encontra no discernimento a sua razão de ser. Caminhamos juntos, para que, abertos à ação do Espírito Santo possamos compreender melhor a nossa missão e, possamos, assim, ajudar-nos mutuamente por realiza-la.

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos

AGENDA EPISCOPAL – JULHO 2026

 

09 | Santa Missa na Comunidade Santa Cecília, em Barretos, às 19h30.

11 | VISITA PASTORAL à Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Embaúba

12 | Santa Missa na Catedral do Divino Espírito Santo, em Barretos, às 10h.

13 | Santa Missa com Benção da nova Capela de S. José, na Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Barretos, às 19h30.

14 | Reunião do Secretariado de Pastoral, na Cúria Diocesana, às 9h.

16 | Santa Missa na Igreja Matriz de N. Senhora do Carmo, em Colômbia, às 19h.

18 | Conselho Diocesano de Pastoral, na Cúria Diocesana, em Barretos, às 14h.

21 e 22 | Atualização do Clero na Casa de Encontros D. Antonio Maria Mucciolo, na Cidade de Barretos

22 | Encontro com Leigos para aprofundamento sobre o Concílio de Niceia, na Igreja Matriz de S. João Batista, em Barretos, às 19h30.

24 a 26 | Missão 72, na Paróquia S. Miguel Arcanjo, em Miguelópolis

25 | Santa Missa, no Santuário de Nossa Senhora do Rosário, para a celebração do Dia da Pessoa Idosa, às 19h30.

26 | Santa Missa, na Igreja Matriz Santa Ana e São Joaquim, em Barretos, às 19h.

27 a 30 | Retiro Espiritual do clero da Diocese de Assis

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