Prezados irmãos e irmãs,
Daqui a algumas semanas estaremos participando de um novo pleito eleitoral quando haveremos de escolher os que haverão de governar a Nação e os Estados pelos próximos quatro anos. Teremos a possibilidade de exercer o dever mais sublime da democracia, que é o voto.
Creio que é sempre bom recordar que a democracia é o regime político pelo qual o poder emana do povo. Nisso ela difere de outros regimes, como o monárquico e o ditatorial. Podemos assim dizer que, a cada quatro anos, temos a chance de acertar, corrigir, reeleger ou substituir aqueles que exercem algum serviço público, para que os direitos dos cidadãos sejam garantidos e o exercício do poder seja aperfeiçoado.
É importante considerar que quanto mais elevado o cargo a ser assumido, maior a sua importância, uma vez que o exercício dele tem um alcance maior, determinando a utilização de recursos que atingem o bem-estar do povo de toda a Nação e do Estado.
Assim, é importante compreender que o princípio que norteia a democracia é o Bem Comum, como afirma a Doutrina Social da Igreja. O poder emana do povo e deve estar a serviço do povo, de todo o povo, e não somente de um grupo de privilegiados.
Nossa República vive hoje um momento de graves riscos. A justiça, talvez mais do que nunca, está sendo vilipendiada, e a verdade amordaçada. Justiça e verdade são o fundamento da paz social. A tarefa dos que haverão de governar nosso país hoje é enorme; os desafios financeiros são desproporcionalmente imensos, como é o caso da dívida pública da Nação e dos Estados.
A economia reflete a realidade que vivemos. A sobrecarga de impostos, a diminuição de empregos, a fuga de investimentos, a alta da taxa Selic e o endividamento da Nação, que torna o governo refém de bancos que cobram altos juros, revelam que a tão falada e almejada redução da máquina pública ainda é um sonho distante de ser realizado.
É preciso considerar neste momento a importância que temos diante de nós para mudarmos esse cenário, pelo nosso voto. Além de demonstrar o nosso desejo de participar desse processo, teremos também a possibilidade de manifestar nossa preocupação com as instituições que representam a República, ou seja, o Congresso Federal, a Assembleia Legislativa dos Estados, o Senado Federal, a Presidência da República, o Governo dos Estados, o Supremo Tribunal Federal e outras instâncias do Judiciário.
Em anos anteriores, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sublinhava a necessidade de passarmos de uma Democracia Representativa para uma Democracia Participativa. Hoje é necessário que a sociedade como um todo acompanhe os mandatos políticos e tenha mecanismos para opinar, exigir respostas rápidas e participar em alguns momentos das decisões que dizem respeito à segurança e ao bem-estar do povo.
Hoje nós nos damos conta de que é mais do que urgente a participação do povo não só nos momentos eleitorais, mas em determinadas ocasiões, para que o Estado democrático de direito seja salvaguardado. Creio que a Constituição de 1988 já prevê esta possibilidade, agora, caberá aos que deverão assumir o governo da nossa Nação nos poderes executivo e legislativo assegurá-la.
Por isso temos que nos convencer de que tão importante quanto a eleição do Presidente da República e dos Governadores dos Estados da Nação é a escolha dos que participarão do Parlamento (Senadores e Deputados) cuja tarefa é legislar em favor do povo e confiar ao poder executivo a tarefa da execução.
A escolha dos senadores e deputados é da maior importância. Serão eles que haverão de representar os interesses da Nação; serão eles que deverão criar leis que assegurem a nós, cidadãos, o aperfeiçoamento dos serviços que o Estado tem como dever realizar, como é o caso da saúde e da educação públicas, da segurança, do trabalho e da estabilidade financeira.
Nossa escolha deverá também partir dos valores éticos e dos direitos fundamentais da pessoa humana. Sem princípios éticos como a salvaguarda da justiça, da verdade e do bem comum, e o respeito pela dignidade de cada pessoa (como o nascituro, os doentes terminais e os idosos), criamos riscos que comprometem não apenas o bem-estar de alguns, mas de todos.
Não podemos neste momento vacilar no nosso voto, nem fazer dele uma mercadoria barata, mas compreender que por meio dele estamos construindo o país em que queremos viver e o futuro que queremos deixar para as novas gerações. Por isso, é nosso dever conhecer razoavelmente aqueles que pedem o nosso voto, sua procedência, sua conduta, suas propostas e, caso já tenham desempenhado algum cargo público, qual foi a sua conduta e os interesses aos quais se colocou a serviço.
Nesse momento de tão grande importância para o nosso país, queira Deus que nos convençamos de que a mudança não surgirá dos céus, mas de cada um de nós. Somos nós que temos a chance de mudar, aperfeiçoar, corrigir e manifestar nossa consciência diante dos fatos que ocorrem e que nos envergonham e entristecem.
Não percamos a oportunidade de demonstrarmos que o povo brasileiro preza pela sua dignidade e tem a capacidade de fazer escolhas justas garantindo o seu bem-estar e o seu futuro.
Ao encerrar esta Circular, reafirmamos que esta Diocese não indica nome de candidato, partido ou coligação, cabendo a cada fiel, no exercício de sua livre consciência, discernir e decidir o seu voto.
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos
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AGENDA EPISCOPAL
SETEMBRO 2026
12 – Santa Missa e Crismas na Igreja Matriz de S. Miguel Arcanjo, em Miguelópolis, às 19h.
17 – ENCONTRO PROVINCIAL DA PASTORAL PRESBITERAL sobre Saúde Mental de Bispos e Presbíteros, das 8h às 12h30, na Casa de Encontros D. Antônio Maria Mucciollo, Cidade de Maria.
19 – Santa Missa e Crismas na Igreja Matriz de S. João Batista, em Barretos, às 19h30.
20 – Santa Missa e inauguração do Campanário na Igreja Matriz de S. José, em Olímpia, às 19h.
22 – Santa Missa e Novena de S. Teresinha, na Capela N. Sra. de Fátima, em Barretos, às 19h30.
23 – Reunião do Conselho Diocesano para Assuntos Econômicos, na Cúria Diocesana, às 19h.
25 a 27 – Assembleia Eclesial do Regional Sul1, em Itaici.
28 – Grupo de Oração “Deus Proverá”, no Salão Paroquial da Paróquia N. Sra. Aparecida (Minibasílica), às 20h.
29 – Santa Missa na Igreja Matriz de S. Gabriel Arcanjo, em Jaborandi, às 19h30.
30 – Santa Missa e Tríduo de S. Teresinha, na Igreja Matriz N. Sra. Auxiliadora, em Jaú, às 19h.



